
Para Thayamme.
Tenho sonhos em preto e branco, ouço vozes roucas, chamados constantes. Vivo em uma eterna fantasia, falo sozinha, irrito-me com o perfeito. Sou o retrato da demência. Carrego em mim todas as neuroses e psicoses em elevado estágio de evolução, minha essência é loucura e meu espírito é delírio. Possuo as marcas do desvario: a credulidade na verdade inexistente, a busca pela felicidade perdida não sei quando, a desonfiança nos que se dizem normais e olhos que miram o infinito mesmo fitando um objetivo material e frívolo. Ou em frente ao espelho. Principalmente em frente ao espelho, aliás... Cada dia não reconheço os traços do caos, a ebulição íntima que me toma a todo momento se faz visível em minha face maldita que não consegue resistir aos encantos da alma que nada faz além de sua própria vontade baseada em razões néscias e entorpecidas. A sobriedade que me restara transformou-se em fumaça, e de fumaça em nuvem, que precipitou-se em cima de meu reino utópico e fez chover radiação cancerígena sobre os sentimentos. O átomo desencadeante e quebrado fui eu mesma, partilhada, alterada e excitada, na constante venda de meus princípios duvidosos e valores baratos, de meus desejos vadios e provenientes da desordem. Tudo em mim é xepa, sou a carne gordurosa e nervurenta que restará entre as migalhas de tua mesa, ao menos que resolva ingerir-me e infectar tuas entranhas com o sabor putrefato que é inerente a mim. Conquistei a excelência da vagabundagem, busco o primor da ironia. Os apuros me são enojantes e a perfídia me acena ao lado. Se meretriz rima com perfuratriz, serei eu a enfiar-me me ti, e retirar o que ainda pode haver de bom entre tuas tripas com minha pua blindada com o significado alienado da extravagância presente no mundo sórdido do qual fazes parte. De podridão e devaneios me faço. E de sofrimento e sarcasmo me alimento, nada mais posso fazer senão tentar iludir-me que a lúcida sou eu e todos os outros padecem de distúrbios gravíssimos e incuráveis. Perjuro a própria insensatez espontâneamente de vez em quando para nem à ela me aprisionar. Minha sólida base é a ilusão, e o clamor da moral só tem de mim a resposta da surdez. Meus ruídos ásperos, cavos e espalhafatosos só servem pra sinalizar meu estado. A estridência de que me utilizo é falsa, mordaz e objeto de meu desfrute e consequencia da alucinação permanente. Me recuso ao tratamento por saber que para mim não há cura, uma vez que não há doença. Sou a dualidade em pessoa, o paradoxo encarnado, as duas faces da moeda em sensações, o antagonismo revelado, enfim, sou eu. Nada do que faço tem razão lógica dentro de si, tudo é infundado, desprovido de todo e qualquer respaldo imaginado. Sou o fruto da desordem, o resultado da desilusão, o deleite criminoso das paixões liberadas. Quando nada mais importar, e só quiseres birncar com as fartas e nefastas possibilidades, quando não tiverdes mais esperanças, quando nada mais possa ruir a não ser teu frágil fôlego vital, quando fores abandonado e cruelmente rejeitado, quando te tornares escravo das circunstâncias, serás tomado pela mesma essência que agora me compõe, te tornarás meu irmão idêntico em espírito e corpo, terás o brilho da insanidade no fundo das janelas de tua alma, que enganará e só se identificará realmente para teus novos e compreensivos parentes, singelos psicopatas, monstros mentais ensandecidos.
Porque ela pediu que eu escrevesse algo para ela. Mas quando ia escrever, veio isso. Em 10 minutos. Foi muito estranho... Adoro quando isso acontece.
Adriana está sem falar comigo. Eu não sei o que faço, não consigo perceber se há uma coisa certa a se fazer...
Foto com olhinhos separados... 7 da manhã...
Sofrendo por antecipação. Até casa comprada. Nunca compraram casa, não julgavam necessário ou inteligente. Agora compraram...
Praia. Praga homérica chamada areia e água salgada não sei por qual motivo...
Família. Essa é a pior parte. Não sei viver com família. Gente se metendo e dizendo que é pro teu bem... Liberdade vigiada mais vigiada ainda...
Solidão.
Mais.
Se é que isso pode ser possível...
Beijos para quem se importa e merece...
13 dias para o meu aniversário... Quero presentes. E cartões. E telefonemas.
Mas principalmente, abraços...